Perfil dos moradores de condomínio

Quem não conhece aquele vizinho que reclama de absolutamente tudo que acontece no condomínio? Ou aquele que acha que é o dono do local e passa o dia inteiro querendo ditar a forma como as coisas devem ser feitas – seja para os funcionários ou outros moradores?

Para qualquer síndico, personagens como estes – ou outros – não são novidade.

Afinal, todo condomínio tem suas particularidades, e o perfil das pessoas que ali habitam pode variar muito de um empreendimento para outro.

Dessa forma, saber analisar e identificar as características dos moradores que compõem um condomínio é um atributo essencial para o síndico conseguir implantar uma gestão de sucesso.

É através dessa pré-analise que ele será capaz de moldar seu estilo de gestão e, assim, evitar menos atritos, desgastes e conseguir uma boa aceitação do trabalho a ser desenvolvido.

Foi pensando nisso que elencamos abaixo os tipos mais comuns de condôminos que costumam demandar menos ou mais trabalho ao síndico, para que ele consiga agir de acordo com cada perfil identificado.

Importante ressaltar que ninguém é apenas um perfil dessa lista abaixo – pode-se agregar um pouco de alguns tipos listados. E que nada é imutável. Um “barulhento” pode virar, com o passar dos anos, um “colaborador”, por exemplo.

“É apenas uma ‘brincadeira’ com os perfis mais comuns encontrados em condomínio. Vale como exercício para o síndico entender que, para lidar com pessoas, é importante ser tolerante e ter jogo de cintura ao exercer sua gestão e liderança”, argumenta Julio Paim, diretor do portal SíndicoNet.

 

1 – O Condômino padrão

O condomino padrão

É aquele morador que costuma não dar muito trabalho. Também não comparece em muitas assembleias, apenas quando entende que há algo muuito errado ou algum assunto particular lhe interessa – como a famosa assembleia onde são escolhidas as vagas de garagem.

Costuma respeitar as regras do condomínio e também geralmente não reclama em excesso.

Situações comuns:

Não comete infrações
Quase não vai às assembleias
Não demanda muito trabalho para o síndico
Aparece apenas quando vê algo muito errado

DICA PARA O SÍNDICO: Transparência e agilidade para atender às demandas desse condômino são importantes para manter a harmonia e evitar que ele se transforme em um perfil que possa gerar demandas desnecessárias ao síndico.

Atendimento aos condôminos: você sabe como fazer?

2 – O Inadimplente sem noção:

O inadimplente sem noçaõ

Um clássico da vida em condomínio. O condômino não paga o condomínio e vive viajando para fora, trocando de carro e fazendo festas.

Situações comuns:

Vive viajando a lazer
Troca de carro mesmo estando inadimplente
Perfil ostentador em redes sociais

DICA PARA O SÍNDICO: não esperar muito para entrar com ação judicial

“Nesse caso, o melhor é o síndico entrar logo com a ação na justiça. Não vale a pena esperar por quem tem condições e não prioriza o seu compromisso com o condomínio”, ensina o advogado especialista em condomínios e colunista do SíndicoNet, Alexandre Marques.

Penalidades legais ao inadimplente
Sete atitudes contra a inadimplência
Cobrança amigável de inadimplentes
Cobrança judicial de inadimplentes

3 – O Criador de caso

O criador de caso

Esse é aquele morador que não pode ver absolutamente nada fora de ordem. Seja uma escada que um funcionário deixou no canto para guardar dali a dez minutos, ou um pequeno ruído depois das 22h00.

Mesmo sabendo que o vizinho chega sempre esse horário e evita ao máximo incomodar, ele não perde a oportunidade, nunca, de chamar a atenção sobre algo que saiu do “normal”, podendo até registrar a queixa com o porteiro, site do condomínio ou no livro de ocorrências.

Muitas vezes também tende a pedir a intervenção do síndico em situações que não são necessárias.

Situações comuns

Postura inflexível e intolerante
Está sempre procurando “pelo em ovo”
Adora dar pitaco, mas, muitas vezes, não põe a mão na massa
A grande maioria das queixas não são sentidas ou também reclamadas por outros moradores

DICA PARA O SÍNDICO Trazer o condômino para a gestão do condomínio, em alguns casos, pode ser uma boa saída.

“Esse tipo de pessoa geralmente conhece bem o condomínio e suas regras. Pode ser bastante útil para o síndico no dia-a-dia da gestão”, afirma o vice-presidente de condomínios do Secovi-SP, Hubert Gebara.

Também é importante que o síndico entenda que nem sempre precisa intervir quando uma situação crítica envolve dois moradores – e não toda a coletividade.

“Nesse caso, o síndico pode deixar o morador que é muito ‘encrenqueiro’ se resolver com outro morador em questão, principalmente se não há outras reclamações sobre o tema”, argumenta Hubert Gebara.

Saiba dividir e delegar tarefas no condomínio

4 – O Barulhento:

O Barulhento

Muitos condomínios têm, pelo menos, um morador assim. Seja o filho que toca bateria a tarde toda, ou aquele que chega tarde do trabalho e quer ouvir a TV em alto volume depois das 22h.

Também não há como deixar de mencionar aquele vizinho que adora uma festa e sempre extrapola os horários de silêncio.

Situações comuns

Não se preocupa com os vizinhos
Já está acostumado com reclamações e interfone tocando, e não liga pra isso
Espera o interfone tocar para, só assim, tomar uma atitude (ou não)
Sempre acha que é implicância do vizinho de baixo ou de cima

DICA PARA O SÍNDICO: seguir o que consta na convenção e no regulamento interno. Muitas vezes o procedimento é primeiro dialogar, seguido de advertência por escrito e, então, multa.

“Não é normal ter um morador que acha que tem mais direito que os outros, inclusive mais direito de incomodar. O síndico não pode ter uma postura leniente, porque se não os outros moradores, além de seguirem incomodados, vão achar que esse comportamento é aceitável no local”, pondera Jaques Bushatsky, advogado especializado em condomínios e colunista do SíndicoNet.

Desrespeito ao regulamento interno
Barulho do vizinho: tolerar ou não?
Campanha: Não parece, mas incomoda (barulho de salto alto, móveis arrastando, TVs com volume alto, etc.)
Quando o síndico deve intervir em caso de barulho?
Barulho de festas em apartamentos

5 – O Dono do condomínio:

O dono do condomínio

Figura constante em condomínios mais antigos. É aquele que já mora há muito tempo no condomínio e acredita que entende mais dos procedimentos a serem executados que os funcionários. Passa o dia na portaria e atrás dos outros colaboradores “averiguando” se o serviço está sendo feito corretamente.

Situações comuns

Costuma ser morador antigo
Vê e cuida das áreas comuns como extensão da sua casa, o que pode ser positivo
Está sempre presente e circulando pelas áres comuns
Ajuda a manter o condomínio em ordem, porém, pode cometer excessos
Dependendo da situação, pode ajudar ou atrapalhar o síndico a implementar melhorias e novos procedimentos no condomínio

DICA PARA O SÍNDICO: não deixar que o morador ultrapasse os procedimentos da gestão. Lembrar que não é permitido permanecer na portaria e que os funcionários executam suas funções de acordo com as solicitações do síndico e/ou zelador (em caso de colaboradores orgânicos) ou de um gestor externo – caso das empresas terceirizadas.

Um cuidado a mais, nesse caso, é que se o morador ficar “dando ordens” para um terceirizado, isso pode caracterizar “subordinação” entre o condomínio e o colaborador, abrindo, então, uma brecha para possíveis ações trabalhistas.

“O síndico não pode deixar esse morador ‘crescer’ muito nessa função, ou ele vai querer tomar conta de tudo. Às vezes, é um ex-executivo aposentado que está acostumado a ser obedecido e se vê esvaziado de autoridade apenas como morador”, calcula Vania Dal Maso, gerente geral de atendimento da administradora ItaBr.

Por outro lado, assim como o perfil “Criador de caso” descrito acima, uma boa saída pode ser tentar trazer esse morador para auxiliar o síndico na gestão.

Saiba dividir e delegar tarefas no condomínio
Evite ações trabalhistas no seu condomínio
Saiba mais sobre ações trabalhistas de terceirizados

6 – O Ausente

O ausente

Um tipo bastante comum também, é o morador que acredita que sua participação na vida condominial é dispensável. Infelizmente, muitas pessoas que moram em condomínio não valorizam sua própria contribuição para o dia-a-dia do local. Não frequentam as assembleias, e não se sentem, também, representados pelas decisões tomadas ali.

Situações comuns

Não geram demandas para o síndico
Geralmente, para estes, dinheiro não é problema
Muitos não são sociáveis
Inquilinos ou inadimplentes também costumam se enquadrar nesse perfil

DICA PARA O SÍNDICO: aposte em campanhas de comunicação e site do condomínio para engajar esses moradores. Mesmo no caso do condômino inadimplente, isso vai motiva-lo a estar em dia com suas contas para ter mais participação no condomínio.

Outra opção é criar eventos no condomínio, como festas, para promover a integração e socialização entre todos.

Há, é claro, condôminos que muitas vezes não participarão da vida em comunidade de jeito nenhum. Mas há uma grande parcela de pessoas que podem, sim, se interessar mais e tomar parte da vida em condomínio.

“O síndico pode apostar em campanhas explicando sobre a importância de todos comparecerem às assembleias, principalmente antes de alguma ocorrer. Mostrar que o condomínio é de todos, e que é dever de todos cuidar do patrimônio”, argumenta Hubert Gebara

Saiba como criar campanhas no seu condomínio
Crie um informativo periódico do condomínio
Serviço: Crie o site do condomínio – Plataforma MeuCondomínio
Serviço: Monte uma feira no seu condomínio (São Paulo)

7 – O Vendedor de ideias

O vendedor de ideias

Ao contrário do “ausente”, esse perfil de morador tem muito gosto em participar da vida em condomínio. O que ele gosta mais é de sugerir melhorias para o condomínio. E isso é ótimo, desde que represente o interesse da comunidade em geral.

Um ponto negativo desse tipo é que ele geralmente pensa em como uma reforma no playground ou na churrasqueira pode ser incrível para o condomínio, mas não busca orçamentos e também não acompanha o desenvolvimento da sua ideia para a prática.

Também gosta de cobrar o síndico para colocar suas ideias em ação – muitas vezes sem que o assunto tenha sido votado em assembleia.

Situações comuns:

Adora dar ideias e sugestões, mas não ajuda a executá-las
Costuma ser sociável e é amigo de todos os moradores

DICA PARA O SÍNDICO: Colocar em votação as ideias do “idealizador” é uma ótima forma de passar a limpo se aquela possibilidade realmente é interessante para o condomínio.

“Fazer questão” da sua presença na assembleia pode ajudar tanto a vender a ideia como a mostrar que aquilo não é interessante para a massa condominial.

Sempre convidá-lo – e testá-lo – para ajudar a “por a mão na massa” é uma boa estratégia também. Assim você saberá o quanto ele poderá ser útil ou não para sua gestão.
8 – O Fofoqueiro

O fofoqueiro

Outro clássico da vida em condomínio, esse perfil é bastante comum. É aquela pessoa que passa seus dias ‘fiscalizando’ o que acontece no condomínio e sabe de tudo que acontece ali.

Geralmente, os comentários maldosos são direcionados ao síndico e conselho, já que para essa pessoa a gestão condominial nunca está no caminho certo. Seu alvo, porém, pode incluir também os funcionários e outros moradores.

Situações comuns

Sabe da vida de todos
Costuma criar “panelinhas” e intrigas
Usa o site do condomínio para tumultuar
Adora reclamar – sem embasamento – da gestão do síndico para outros moradores

DICA PARA O SÍNDICO: Apostar em transparência na gestão e ser duro com fofocas que atinjam sua honra ou de outros moradores. Vale todo esforço do síndico para cortar o mal pela raiz e não deixar que um simples comentário ou fofoca cresça e promova um estrago maior.

“O síndico deve se mostrar disponível sempre para tirar as dúvidas dos moradores sobre como está a gestão do condomínio. Mas outra coisa, completamente diferente, é ter que lidar com mentiras e acusações infundadas. Nesse caso, se houver provas, como trocas de e-mails, mensagens de whatsapp ou testemunhas, pode-se entrar com ação judicial sem nenhum problema”, afirma o advogado Alexandre Marques

Difamação e calúnia em condomínio: saiba como agir

9 – O Colaborador

O colaborador

Uma peça rara, mas que geralmente encontramos pelo menos um representante da categoria no condomínio. É aquele morador que agrega à gestão, entende as decisões tomadas pelo síndico e administração e ajuda na moral geral.

Situações comuns

Frequenta as assembleias
Lê os comunicados
Participa das comissões
Ajuda a motivar outros moradores a colaborarem com a gestão

DICA PARA O SÍNDICO: Trazer esse morador sempre para perto da sua gestão e ser sempre aberto aos seus questionamentos.
10 – O Do Contra

O Do Contra

É o contrário do colaborador. Ele faz uma oposição ferrenha ao síndico, mesmo que seja uma decisão votada em assembleia ou algo que vá impactar positivamente no condomínio. Muitas vezes, pode ultrapssar o limite da crítica e chegar a acusações infundadas para com a pessoa do síndico

Situações comuns

Espalha boatos pelo condomínio
Fala mal do síndico
Usa sempre um viés negativo sobre a gestão atual

DICA PARA O SÍNDICO assim como o “criador de casos”, pode ser interessante trazer esse morador para dentro da gestão do condomínio. Quem sabe um olhar de fora não agrega ao seu mandato? É importante, porém, ser firme e não permitr que boatos infundados ou acusações contra a honra e a dignidade do síndico não se espalhem pelo condomínio

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11 – O Solteiro Baladeiro

Solteiro Baladeiro

É aquele que chega de madrugada da balada diversos dias da semana, fazendo barulho. Não comparece nas assembleias e pode ser bastante alheio a outras regras do condomínio

Situações comuns

Dá frequentes festas em sua unidade
Alta frequência e diversidade de visitantes em sua unidade
Barulho recorrente após horário de silêncio
É normal chegar de madrugada

DICA PARA O SÍNDICO: Importante salientar que o que o morador faz dentro da sua unidade não é da conta de ninguém, desde que siga o que consta no regulamento interno e na convenção. Para lidar com esse tipo de condômino, campanhas de conscientização sobre uso correto das áreas comuns e barulho devem surtir efeito. Se não, seguir o que está previsto nestes documentos: notificações e multas sempre que a situação pedir.

Como costuma chegar de madrugada em casa, também vale reforçar os procedimentos de segurança com esse tipo de morador.

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Barulho na unidade de cima ou de baixo
Cartaz de conscientização sobre o horário de silêncio

12 – O Antissocial

O Antissocial

Infelizmente, esse é um tipo tão comum que foi até tipificado pela Justiça. Veja o que diz o art 1.337 do Código Civil:

O condômino, ou possuidor, que não cumpre reiteradamente com os seus deveres perante o condomínio poderá, por deliberação de três quartos dos condôminos restantes, ser constrangido a pagar multa correspondente até ao quíntuplo do valor atribuído à contribuição para as despesas condominiais, conforme a gravidade das faltas e a reiteração, independentemente das perdas e danos que se apurem. Parágrafo único. O condômino ou possuidor que, por seu reiterado comportamento anti-social, gerar incompatibilidade de convivência com os demais condôminos ou possuidores, poderá ser constrangido a pagar multa correspondente ao décuplo do valor atribuído à contribuição para as despesas condominiais, até ulterior deliberação da assembleia.

Trocando em miúdos: é aquele condômino que não liga para as regras do condomínio. Que é multado reiteradamente por suas condutas que não estão de acordo com o regulamento interno e convenção do condomínio.

Situações comuns:

Barulho alto
Conduta desrespeitosa com os vizinhos ou colaboradores (gritar/agredir/ ser violento)
Desrespeito reiterado ao regulamento interno ou convenção

DICA PARA O SÍNDICO: se você perceber que há um condômino com esse perfil no seu condomínio, o mais indicado é chamar uma assembleia para explicitar, exatamente, que tipo de comportamento seria encaixado como conduta antissocial, assim como as penalidades. Assim, o síndico fica mais protegido juridicamente quando for aplicar as penalidades previstas na lei. Também é importante dar espaço para o condômino se defender de todas as multas que receber.

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Multas que não foram pagas por não terem seguido o trâmite correto

Agora que você já conhece diversos perfis de moradores, que tal fazer descobrir que tipo de síndico você é?

Fontes consultadas: Alexandre Marques, advogado especialista em condomínios e colunista do SíndicoNet, Hubert Gebara, vice-presidente de condomínios do Secovi-SP, Vania dal Maso, gerente geral de atendimento da ItaBr e Jaques Bushatsky, advogado especialista em condomínios e colunista do SíndicoNet.

Fonte: SíndicoNet

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